Sobre o curso

A relação entre educação, escola, políticas educacionais, formação docente, currículos, teorias pedagógicas e o primeiro direito do ser humano a um digno e justo viver tem estado, em certa medida, ausente no pensamento educacional e nas suas políticas, bem como na formação de profissionais da educação básica e de outros(as) profissionais envolvidos(as) com políticas sociais que estabelecem relações com a educação em contextos empobrecidos.

Apesar da quase universalização do acesso à educação básica no Brasil nas últimas décadas – possibilitada principalmente pela implementação de políticas educacionais e políticas sociais articuladas à educação (a exemplo do Programa Bolsa Família, com o sistema de condicionalidades à educação, à saúde e à assistência social) – , abrem-se novos e significativos desafios: é necessário que a ampliação do acesso à educação seja acompanhada de um grande esforço pela melhoria da qualidade da educação, em termos materiais e humanos.

O Curso de Especialização em Educação, Pobreza e Desigualdade Social tem a finalidade de provocar debates, reflexões e proposição de ações, sobretudo no que se refere aos processos de educação envolvendo sujeitos que vivenciam a experiência da pobreza ou da extrema pobreza. Esse movimento de reflexão/ação deve partir de uma questão central, qual seja: que respostas a educação brasileira tem dado às vivências da pobreza que adentram as escolas públicas?

Entende-se que a formação continuada de profissionais da educação básica e/ou de outros(as) profissionais envolvidos(as) com políticas sociais que estabelecem relações com a educação de crianças, adolescentes e jovens que vivem em circunstâncias de pobreza ou extrema pobreza pode se constituir num valioso instrumento para a consecução dessa tarefa de melhoria da qualidade da educação e, especialmente, para a luta pela garantia daquilo que socialmente se define como uma vida digna e justa, direito inalienável de todo ser humano.